15/06/2013

Saudade

A saudade dilacera meu ser
corta-me em mil pedaços
quanta falta tu me fazes
só estou inteira contigo.

Sinto a angústia chegar
a solidão me cercar
mas o amor aqui está
a esperar

A ansiedade se espalha
insidiosa,
preenche, domina
impede o pensar coerente
Abre espaço para o medo

As luzes azuis se tornam
cinzas,
sinais pálidos do vermelho
que era chama
e se tornou réstia.

Apego-me a cada piscar
a cada sinal de talvez
esperando que seja um sim
e jamais um não.

A esperança de que a liberdade
não se volte contra, se esvai
em gotas de tempo
que parecem desaparecer
a cada pulsar do sangue.   

Que a liberdade
seja o grilhão
que a mim prendeste
junto a lembrança
do que poderia ser.


H.Porter

Conquistar

Como é salutar o jogo da conquista,
uma hora sacode, outra desliza,
nada é tão simples quanto o desejo
que na madrugada explode em ondas e arquejos.

A sedução se inicia 

e no carinho vicia
tanto divagar
de pensamentos entrechocantes

O querer mais que querer,

descerra instintos apaga pudores,
a pele chama 
a outra pele em chamas.
H.Porter

10/06/2013

Isolamento

A dor postergada corrói lentamente
como um caudaloso rio subterrâneo
silencioso, constante
consumindo cada sinal de sentimento.

A frieza se avizinha
imiscui-se
insidiosa cerca cada nicho
cada vão de humanidade

A razão domina
A emoção se retrai
Nesse jogo perdemos
Nós, cada um a sentir ou não.

A ferida acerta a sangrar
Escorre a gotejar em cada espaço
Que encontra aberto
Enchendo de amarga determinação
Não há de ser dominada pela emoção

No véu dos dias que passam
O choro contido é retido
Aprofundado e esquecido
Substituído pelo tempo agora

Será que algo poderá quebrar
A armadura criada mais uma vez
Que protege e isola
Faz desaparecer o que estava a nascer.

H.Porter

SONHO

Se um dia puder
Um sonho realizar
Sentir por instantes
E num abraço apertar
A magia na realidade
Se configurar
Com emoção apostar
Em beijos e afagos
A paixão me entregar
Provar o improvável
Que o medo contém
Diante do inesperado
Esperar
O resultado de um desejo
A borbulhar.
Amar-te a cada minuto
Como a descobrir
Tudo o que escondes
Tão bem assim
Ouvir a harpa em decibéis
De melodia magistral
No minuto em que
Com delícia cair
Do céu de marfim
Numa noite sem fim.

H.Porter